26/08/2026
O mercado brasileiro de manga caminha para o segundo semestre de 2026 com perspectivas positivas, graças à menor oferta de fornecedores concorrentes e ao aumento da demanda internacional. Essa é a visão de Ronaldo Araújo, CEO da Sebastião da Manga, que prevê um fechamento de ano particularmente forte para o setor.
“O segundo semestre será muito positivo porque a demanda está forte e, devido ao El Niño, todos estão de olho no Brasil”, afirma Araújo. O atraso nas safras do Peru e do Equador, somado ao fim da safra mexicana, está impulsionando as oportunidades comerciais para as frutas brasileiras, principalmente nos Estados Unidos. Segundo Ronaldo, os compradores americanos planejam continuar comprando até o final de novembro, dada a oferta limitada de outras origens.
No entanto, a campanha não foi isenta de desafios. As chuvas durante o primeiro semestre prejudicaram a floração e desencadearam problemas de antracnose em maio e junho. Como resultado, a oferta foi menor do que a inicialmente prevista. “Temos manga, mas não tanta quanto pensávamos que teríamos a partir de julho”, afirma Araújo. A Sebastião da Manga está operando atualmente com cerca de 80% da capacidade, com aproximadamente 20% da floração ainda pendente.
“Essas dificuldades no Equador foram confirmadas no terreno. Um comprador americano que está atualmente no Equador e acompanha de perto a campanha relatou atrasos severos e uma perda de produção de quase 50%. Segundo esse mesmo comprador, a demanda aumentará a partir de setembro e os embarques de frutas brasileiras continuarão até o final de novembro. Ele está pagando atualmente US$ 7,75 FOB por caixa; um preço que, segundo ele, aumentará semana a semana conforme a demanda crescer”, afirma Araújo.
Na Europa, a oferta mais restrita também está mantendo o mercado à tona. Araújo afirma que “há uma demanda particularmente forte por tamanhos menores, principalmente os tamanhos 9, 10 e 12. Os preços da manga brasileira atualmente variam entre € 7 e € 7,50 para os tamanhos grandes e entre € 8 e € 8,50 para os tamanhos pequenos.”
A concorrência espanhola também não parece estar exercendo pressão significativa este ano. Com oferta limitada em certos tamanhos e altos custos de produção, as mangas de Málaga teriam menos competitividade em relação às frutas brasileiras.
Para os últimos meses do ano, Araújo prevê uma melhora ainda maior nos preços, principalmente com o aumento da demanda nos EUA e a redução da oferta europeia. “Em novembro e dezembro, acho que ultrapassarão € 9”, afirma, acreditando que o Brasil terá oportunidades comerciais particularmente boas. Seu veredito geral para 2026 é claro: “Acho que será um ano espetacular”, com maior produção concentrada em novembro e dezembro, em um contexto de oferta internacional reduzida.
https://www.freshplaza.com/latin-america/article/9866566/delays-in-peru-and-ecuador-boost-commercial-opportunities-for-brazilian-mango/




