24/08/2026
Apesar do potencial produtivo, o Brasil ainda exporta uma parcela pequena do que produz. Então, estamos muito aquém do que a gente podemos ser”, afirmou Waldir Promícia, presidente da Associação Brasileira do Produtores e Exportadores de Frutas – Abrafrutas.

Ele destacou que todas as frutas exportadas atualmente têm grande potencial de crescimento. O país dispõe de áreas agriculturáveis suficientes para dobrar ou triplicar a produção sem necessidade de desmatamento.
Entre as frutas com maior potencial de expansão Promícia citou o limão. “O limão já tem uma plantação grande no Brasil e nós exportamos menos de 10% do que produzimos. Se passarmos para 20%, ainda temos o produto pronto para ser exportado. A árvore já está plantada, a oferta já existe, só falta a demanda”, explicou.
A abertura do mercado norte-americano, maior consumidor de limão Tahiti do mundo, foi citada como uma das principais metas do setor.
Barreiras sanitárias e logística ainda são obstáculos
Já a lentidão nas negociações comerciais internacionais foi apontada pelo presidente da Abrafrutas como um dos principais desafios. “Toda tramitação de comércio internacional é muito lenta. O acordo entre a União Europeia e o Mercosul demorou 25 anos para sair do papel”. Além das questões políticas e de proteção ao mercado interno dos países importadores, as barreiras sanitárias e as dificuldades logísticas para destinos como China e Índia também são tratadas com entraves. O setor investe em pesquisas para aumentar a vida útil das frutas e viabilizar o acesso a mercados mais distantes.
Bioinsumos ganham espaço e Abrafrutas mobiliza entidades do agro
A Abrafrutas mobilizou 35 entidades do agronegócio em defesa de uma regulamentação equilibrada para o uso de bioinsumos. Promícia explicou que a fruticultura é muito dependente de moléculas químicas, cada vez mais restringidas pela União Europeia. “Os bioinsumos vieram para substituir isso. Nos últimos três anos, aumentou 70% o uso de bioinsumos na nossa fruticultura”, revelou. Segundo ele, os bioinsumos — fungos e bactérias desenvolvidos para combater pragas de forma natural — não deixam resíduos químicos elevados nas frutas, o que facilita o atendimento às exigências dos mercados internacionais.
E associação defende uma regulamentação séria e equilibrada, essencial para que o Brasil consolide a liderança no uso dessa tecnologia. “O Brasil está na vanguarda do uso do bioinsumo no mundo. Se a gente regulamentar bem, outros países vão seguir nossos protocolos. Seremos protagonistas, e isso é muito importante para o Brasil e para a fruticultura”, concluiu Promícia. A Abrafrutas encaminhou uma carta ao governo reforçando a importância do tema para todo o setor agrícola.
Fonte: Abrafrutas




