10/04/2026
“Frutas brasileiras são exportadas para a Europa quando a Europa não produz ou não pode produzir certas espécies devido a limitações técnicas e climáticas”, afirmou Jorge de Sousa, gerente de projetos da Abrafrutas. Ele enfatizou que, embora esse padrão comercial não seja novo, está se intensificando. “Isso beneficia ambas as regiões, gerando bem-estar tanto para as populações europeias quanto para as brasileiras”, destacou.
Diversificar os destinos é um elemento-chave da estratégia de exportação do Brasil. A Europa continua sendo um mercado vital, principalmente devido ao potencial de acordos comerciais que podem melhorar as condições de acesso. “O acordo torna as tarifas mais justas. Ou todos pagam, ou ninguém paga”, enfatizou, destacando a importância da concorrência leal.

Fora da Europa, o mercado americano continua sendo vital para as exportações brasileiras. “Os importadores americanos gostam de frutas brasileiras; eles as querem”, afirmou De Sousa. Apesar de algumas tensões políticas e tarifárias, produtos como manga, mamão e açaí ainda chegam aos Estados Unidos, o que indica uma forte demanda. “É mais uma questão política e governamental do que de mercado”, acrescentou.
O Brasil também está explorando oportunidades em mercados mais distantes, como a Ásia, onde a demanda por frutas tropicais está crescendo. No entanto, o crescimento é limitado por um grande obstáculo: a logística. “Temos uma forte demanda de países asiáticos por frutas tropicais, mas a falta de logística marítima nos obriga a usar o transporte aéreo, o que encarece o produto”, afirmou.
Esse desafio logístico não é exclusivo do Brasil, mas reflete um problema mundial. “Os custos são altos e a disponibilidade de linhas não é ideal”, afirmou. Resolver essas questões será crucial para que o país amplie sua atuação em mercados mais remotos.
Outro fator que influencia o crescimento das exportações é a disponibilidade de mão de obra rural. “As novas gerações não querem trabalhar na agricultura, independentemente dos salários”, destacou De Sousa. Ao contrário dos setores agrícolas mais mecanizados, a produção de frutas frescas ainda depende muito do trabalho manual, o que restringe seu potencial de expansão.
Além disso, o Brasil mantém comércio bilateral com a região. Apesar de ser um grande produtor, importa alguns produtos para complementar o abastecimento interno. “Uma parcela significativa das laranjas de mesa que consumimos no Brasil vem do Uruguai”, observou ele, indicando que a qualidade e a especialização também influenciam o comércio.
Olhando para o futuro, o setor planeja ampliar sua presença internacional entrando em novos mercados e fortalecendo alianças estratégicas. “Há oportunidades para todos, e nosso objetivo é aumentar esse intercâmbio”, concluiu De Sousa, enfatizando a importância do Brasil como um dos principais atores no comércio global de frutas.
Fonte: www.frutasdobrasil.org




