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Egito se torna o maior fornecedor de laranja do Brasil

14/03/2025

O Brasil é conhecido como o maior produtor mundial de laranja e principal exportador de suco de laranja concentrado, detendo 75% do mercado global. No entanto, para complementar o consumo interno, o país sempre importou laranjas, principalmente da Espanha, uma grande produção cítrica. Nos últimos anos, outro fornecedor vem competindo pelo primeiro lugar como o maior exportador de laranja para o mercado brasileiro: o Egito. Em 2024, o Egito se tornou o principal fornecedor, com vendas totalizando US$ 16,1 milhões, um aumento de 113% em relação a 2023 ( veja o gráfico abaixo ).

As importações de laranja têm aumentado, especialmente nos últimos dois anos. Em 2024, elas quase dobraram, passando de 26.900 toneladas em 2023 para 51.200 toneladas no ano seguinte — um aumento impressionante de 90,3%. O principal motivo é o declínio da produção nacional, o que impulsiona a demanda internacional. Para colocar em perspectiva, a produção estimada para a safra 2024/2025 é de 228 milhões de caixas, em comparação com 307 milhões de caixas na temporada anterior.

A queda na produção tem duas causas principais: a disseminação do greening, uma doença causada por uma bactéria que afeta principalmente as plantações do estado de São Paulo, e fatores climáticos, especialmente o calor extremo.

“Nosso principal problema agora é menos greening e mais calor extremo”, diz Guilherme Rodriguez, engenheiro agrônomo e supervisor de projetos do Fundecitrus , um centro de pesquisa fundado em 1977 para dar suporte à produção de citros em uma região do estado de São Paulo e sul de Minas Gerais, hoje conhecida como “cinturão cítrico”. Rodriguez explica: “O greening afeta nossas plantações desde 2004, causando vários danos, como ressecamento de galhos e queda de frutos. Para combatê-lo, implementamos diferentes estratégias ao longo dos anos. O calor extremo, por outro lado, impacta principalmente a fixação dos frutos, reduzindo sua quantidade. Enquanto o greening compromete a saúde das plantas, o calor afeta diretamente a produção.”

O próprio Fundecitrus vem combatendo o greening há duas décadas. Também conhecida como huanglongbing (HLB), a doença afeta todos os tipos de cítricos, e não há cura para plantas infectadas. Para fortalecer esses esforços, o fundo lançou uma campanha de conscientização em fevereiro intitulada “Para que a incidência seja zero, o controle deve ser dez em dez”, enfatizando que a principal arma contra a doença é a ação preventiva coletiva. “Quarenta e quatro por cento das fazendas de citros de São Paulo estão sofrendo atualmente com o greening, com Limeira sendo a cidade com a maior incidência, 78%”, explica Rodriguez. “Se um agricultor toma precauções, mas seu vizinho não, todos podem ser afetados. O controle eficaz requer gerenciamento regional.”

Na prática, as árvores recém-afetadas não produzem frutos, enquanto as árvores maduras sofrem queda prematura significativa de frutos e murcham gradualmente com o tempo. Originária do Sudeste Asiático, a bactéria greening quase dizimou a agricultura cítrica na Flórida, Estados Unidos. Embora essas bactérias sejam um inimigo bem conhecido que tem sido combatido ativamente, o calor extremo surgiu como um novo desafio nos últimos anos. Uma das estratégias atuais para mitigar seus efeitos é aumentar a irrigação.

Por outro lado, uma oportunidade para os importadores

Como em qualquer balança comercial, o que é um problema para alguns se torna uma oportunidade para outros. O Brasil importa laranjas do Egito desde 2019, quando os protocolos fitossanitários foram aprovados pela primeira vez, mas um acordo de livre comércio entre o país árabe e o Mercosul estava em vigor desde 2017, eliminando um imposto de importação que os países europeus ainda precisam pagar. À medida que os egípcios melhoraram seu produto, eles também ganharam espaço no mercado brasileiro, uma tendência que tem sido mais perceptível nos últimos anos.

A trading 52W, sediada em São Paulo, começou a trazer laranjas egípcias para o Brasil em dezembro de 2024. Fundada há três anos, a empresa inicialmente importava maçãs portuguesas, além de maçãs e peras da Argentina. Eles descobriram a oportunidade nas laranjas egípcias de uma forma inusitada. “Passamos um tempo na Espanha para aprender sobre laranjas, tangerinas e limões. Enquanto estávamos lá, uma greve geral estourou entre os produtores espanhóis de laranja contra produtos de outros países que estavam chegando com a mesma qualidade, mas a preços mais baixos, especialmente do Egito. Foi quando fez sentido”, diz Gustavo Fávero, um dos sócios da 52W.

Ele e seus sócios perceberam o potencial do mercado quando viram que alguns fornecedores estavam com dificuldades para entrar no mercado brasileiro. Logo encontraram um parceiro comercial no Cairo, a Dream International, e juntos lançaram uma operação para trazer laranjas de mesa das variedades Navel — vendidas como Bahia no Brasil — e Valencia. “Não é uma operação fácil — tudo é avaliado: cor, tamanho, acidez e doçura. O parceiro logístico tem que ser de primeira linha porque tudo tem que acontecer em até 30 dias, com transporte a quatro graus Celsius”, explica o importador, que agora se prepara para fazer o inverso e exportar produtos brasileiros para o país árabe.

Para Fávero, o aumento da presença de laranjas egípcias se deve mais à substituição de laranjas espanholas — que oferecem a mesma qualidade a um preço melhor — do que a problemas na produção brasileira. “O Brasil é um excelente produtor de cítricos, mas, como acontece com qualquer fruta, é normal que as importações complementem a oferta durante a entressafra para garantir a disponibilidade o ano todo para os consumidores.” Isso faz do Brasil um ótimo mercado consumidor a qualquer momento, independentemente dos desafios de produção.

Fornecimento de laranja

Apesar de todas as adversidades, a cadeia de suprimentos de laranja no Brasil continua sendo de suma importância. O país ainda é o maior produtor mundial e responde por 75% das vendas globais de suco de laranja. Todo o setor gera cerca de 200 mil empregos diretos e indiretos, contribuindo com US$ 189 milhões em impostos. São Paulo se destaca nesse setor, responsável por 90% do volume de exportação do país. Somente na safra 2023/2024, o estado gerou 45.112 empregos — um aumento de 10% em relação à safra anterior, segundo dados do grupo de exportadores CitrusBR.

Segundo a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, apesar dos desafios impostos pela doença do greening e pelas condições climáticas desfavoráveis, ainda há muitos motivos para comemorar o progresso do setor. Além da geração de empregos, a indústria de laranja de São Paulo foi responsável por 8,2% do total das exportações do estado, totalizando US$ 1,15 bilhão na balança comercial no ano passado. Ela está entre os cinco principais produtos agrícolas na balança comercial de São Paulo, de acordo com pesquisa do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) da secretaria.

Fonte: ANBA: Agência de Notícias Brasil-Árabe

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