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A agricultura vertical aumenta a produtividade e reduz o consumo de água

14/08/2026

Em cooperação com organizações de ciência e tecnologia da América Latina e do Caribe, e cofinanciado pela Fontagro, o projeto, que contou com pesquisadores do INTA – Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Argentina), avaliou sistemas de cultivo vertical em ambientes controlados e protegidos. Por meio do manejo de variáveis ​​climáticas como temperatura, umidade relativa e intensidade e espectro da iluminação LED, juntamente com o manejo da fertirrigação, é possível obter alimentos com qualidade nutricional diferenciada e adaptados às demandas do mercado.

Segundo Germán Darío Aguado, pesquisador do INTA Mendoza, “os sistemas de cultivo vertical alcançaram rendimentos de até 14,5 quilos por metro quadrado, superando em mais de 300% os de um sistema de cultivo em solo em estufa com gestão eficiente, demonstrando uma intensificação significativa do uso do espaço”. Ele acrescentou que, paralelamente, o consumo de água foi reduzido em até 65% em comparação com um sistema de cultivo em solo tecnologicamente avançado.

Os resultados não apenas mostram uma diferença na produtividade por unidade de área, mas também refletem uma maior eficiência no uso de insumos essenciais. No mesmo sistema de cultivo, o aumento da intensidade luminosa foi associado a um aumento de rendimento de quase 60%. Essa resposta direta à radiação disponível confirma o papel central da iluminação artificial nesses sistemas.

“Isso demonstra a forte resposta das culturas à qualidade e intensidade da radiação”, observou Aguado, acrescentando que a luz deixou de ser apenas um complemento e se tornou uma ferramenta de ajuste fino dentro do sistema de produção.

Segundo Aguado, “a agricultura vertical permite o cultivo intensivo em pequenos espaços, com consumo de água entre 30 e 40% menor do que a agricultura tradicional, considerando ambientes protegidos com manejo avançado, e até 15% menor do que ambientes a céu aberto sem cobertura”. Essa variação depende do tipo de sistema, da cultura e do nível de controle aplicado, mas, em todos os casos, permanece abaixo dos valores usuais em sistemas convencionais. Cabe ressaltar que esses dados foram gerados na província de Mendoza.

A comparação realizada nos ensaios incluiu hidroponia convencional e cultivo em solo, permitindo uma avaliação mais precisa das diferenças. Em todos os casos, o manejo ambiental é um fator determinante. Temperatura, umidade, nutrientes e qualidade da luz são rigorosamente controlados, possibilitando o ajuste da produção de acordo com as necessidades específicas.

Além do rendimento, outro aspecto fundamental do trabalho é a qualidade do produto final. O controle das condições permite ajustes nas características nutricionais e o atendimento às demandas específicas do mercado. Nesse sentido, a produção deixa de ser impulsionada apenas pelo volume e passa a considerar atributos diferenciadores com potencial bioativo para o corpo humano.

Em escala regional, os testes também buscam identificar onde esses sistemas podem ter o maior impacto. Em áreas como Cuyo, por exemplo, eles se apresentam como uma alternativa promissora para lidar com limitações relacionadas ao uso da terra, disponibilidade de água e variações de temperatura. “Em nível local, a agricultura vertical apresenta alto potencial de desenvolvimento, respondendo a desafios estruturais, ambientais e de mercado”, enfatizou Aguado.

O desenvolvimento tecnológico por trás desses sistemas combina diversas ferramentas. Iluminação LED com espectros específicos, ajustes nutricionais e sistemas de cultivo — sejam hidropônicos, aeropônicos ou em substrato — fazem parte de uma abordagem integrada, adaptada a cada situação. Não existe um modelo único: cada projeto responde à cultura, ao ambiente e ao objetivo de produção.

Esta pesquisa apresenta essa estratégia de produção como uma alternativa em determinados segmentos. A combinação de maior produtividade por unidade de área, menor consumo de água e adaptabilidade ambiental a posiciona como uma opção viável dentro do leque tecnológico disponível.

Este trabalho fez parte de um projeto regional (PE I004) que avaliou a agricultura vertical em diferentes contextos de produção. Nesse âmbito, o INTA colabora com instituições de pesquisa no Panamá, Costa Rica e Colômbia para gerar informações aplicáveis ​​a diversas situações. O foco está em culturas intensivas e em como esses sistemas podem ser integrados aos modelos de produção existentes.

Fonte: intainforma.inta.gob.ar

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