23/06/2026
Bertalha e caruru chegam ao mercado com identidade genética conhecida, padrão de qualidade definido e recomendações de cultivo validadas pela pesquisa

parceria com a iniciativa privada. Foto: Divulgação/ Embrapa
As plantas alimentícias não convencionais (Pancs) ganharam um novo impulso no Brasil. A Embrapa anunciou o lançamento das primeiras cultivares desse grupo de hortaliças desenvolvidas pela instituição, com o objetivo de ampliar a produção, fortalecer cadeias produtivas e incentivar o consumo desses alimentos.
As novidades são a bertalha ‘BRS Tereverde’ e o caruru ‘BRS Ilekalu’, materiais obtidos a partir de recursos genéticos conservados pela Embrapa Hortaliças, em Brasília (DF). O trabalho foi realizado em parceria com a empresa Isla Sementes.
Segundo o pesquisador da Embrapa Hortaliças, Nuno Madeira, a expectativa é ampliar a presença dessas espécies na agricultura familiar, na agricultura urbana e em hortas domésticas e escolares.
“A oferta dessas cultivares, aliada às orientações de cultivo, deve contribuir para ampliar a produção, a comercialização e o consumo dessas hortaliças”, afirma.
Culturas resistentes e com elevado valor nutricional
As Pancs são espécies que ainda possuem cadeias produtivas pouco estruturadas, mas apresentam características que despertam o interesse de produtores e consumidores. Entre os diferenciais estão a rusticidade, a resistência a pragas e doenças, a menor necessidade de insumos e o elevado valor nutricional.
Para o pesquisador, essas características são resultado de séculos de adaptação natural e também contribuem para sistemas produtivos mais resilientes às mudanças climáticas. Além disso, muitas dessas espécies fazem parte da culinária tradicional de diversas regiões brasileiras e carregam conhecimentos transmitidos por comunidades ao longo de gerações.
Bertalha suporta temperaturas elevadas

A cultivar ‘BRS Tereverde’ é a primeira variedade de bertalha com padrão produtivo e características agronômicas definidas. A planta apresenta boa adaptação ao calor, suportando temperaturas de até 40°C.
Validada nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, a cultivar pode alcançar produtividade entre 40 e 60 toneladas por hectare, em sucessivos cortes realizados durante a mesma safra.
Também conhecida como espinafre-de-malabar, a bertalha é rica em fibras, vitaminas A e C, além de minerais como cálcio e ferro. Outro diferencial é a boa conservação pós-colheita, com folhas que permanecem adequadas para consumo por até quatro dias em temperatura ambiente.
Caruru se destaca pelo teor de proteínas

Já a cultivar ‘BRS Ilekalu’ é a primeira desenvolvida especificamente para o consumo das folhas do caruru. Entre seus principais atributos está o elevado teor de proteínas, que pode chegar a 33,8% nas folhas.
A espécie apresenta rusticidade e adaptação a diferentes tipos de solo e condições climáticas, permitindo cultivo praticamente durante todo o ano em regiões de clima quente.
Outro diferencial é o florescimento tardio, característica que facilita o manejo e evita a produção precoce de sementes, diferenciando a cultivar das espécies consideradas invasoras. Segundo Nuno Madeira, o caruru deve ser consumido cozido, procedimento que melhora a digestibilidade e favorece a absorção dos nutrientes.
Novas cultivares estão em desenvolvimento
A Embrapa informa que o lançamento da bertalha e do caruru é apenas o início de uma série de novas cultivares de Pancs. Nos próximos anos, materiais como almeirão-roxo e vinagreira também deverão chegar ao mercado.
A expectativa é ampliar a diversidade nas hortas e fortalecer sistemas de produção de base agroecológica, especialmente na agricultura familiar e em ambientes urbanos.
Além do desenvolvimento de cultivares, a Embrapa promove anualmente o Encontro Nacional de Hortaliças Não Convencionais (HortPANC), evento voltado à troca de conhecimentos entre pesquisadores, agricultores, nutricionistas e profissionais da gastronomia, contribuindo para ampliar a visibilidade dessas espécies no país.
Fonte: Assessoria de Imprensa – Embrapa




