12/03/2026
O conflito no Oriente Médio está começando a ter repercussões concretas no comércio internacional e nas cadeias logísticas de exportação, especialmente em setores como o da fruticultura.
Em entrevista ao Portalfruticola.com, o consultor internacional de agronegócio Giorgio Peirano*, indicou que um dos primeiros efeitos visíveis foi a interrupção logística global. Isso porque as grandes empresas de transporte marítimo cancelaram serviços ou rotas, alterando os horários regulares e, consequentemente, gerando incerteza na cadeia de transporte marítimo.
Ele acrescentou que isso é agravado pela volatilidade dos preços do petróleo. Outro efeito imediato foi a movimentação nos mercados cambiais. O fortalecimento do dólar globalmente causou a depreciação de moedas de mercados emergentes.
Impacto no setor frutícola
Em relação às exportações de frutas da América Latina, Peirano indicou que o impacto direto no Oriente Médio seria limitado. “No caso do Chile, esse mercado representa entre 2% e 3% do total das exportações de frutas, portanto não é um dos principais destinos em termos de volume.”
No entanto, ele especificou que o maior risco reside em um possível realinhamento dos fluxos comerciais internacionais. “Países concorrentes como a África do Sul, que exportam grandes volumes de maçãs, uvas, peras e frutas cítricas para o Oriente Médio, podem ser forçados a redirecionar seu fornecimento para outros mercados se o conflito afetar seus destinos tradicionais”, disse ele.
Nessa linha de raciocínio, ele explicou que o potencial deslocamento de frutas poderia gerar maior concorrência em mercados que são atualmente fundamentais para exportadores de países como Chile, Peru ou Colômbia.
Obstáculos logísticos
Nesse contexto, Peirano esclareceu que o papel estratégico do Canal de Suez para o comércio global também é crucial. Estima-se que entre 12% e 13% do comércio mundial passe por essa hidrovia, que liga a Ásia à Europa. Embora o canal permaneça operacional, o problema surge do aumento do risco na região.
Ele indicou que várias seguradoras deixaram de cobrir navios que cruzam esse corredor, o que levou algumas empresas de navegação a optar por rotas alternativas ao redor do Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África.
“Essa decisão implica em viagens mais longas e custos operacionais mais elevados, que poderão eventualmente ser repassados às tarifas de transporte”, afirmou.
Ele enfatizou que, em relação ao frete marítimo, ainda é muito cedo para estimar o impacto final nos preços. No entanto, já foram registrados aumentos nas tarifas para áreas diretamente afetadas pelo conflito.
Peirano acrescentou que “se a crise continuar e o petróleo mantiver a tendência de alta, é provável que os custos logísticos continuem a exercer pressão ascendente”.
Em termos de produção, o impacto na fruticultura também poderá ser sentido nas margens de lucro do setor. “Como se trata de um mercado de commodities, o aumento dos custos nem sempre pode ser repassado ao preço final, o que, em alguns casos, pode resultar em margens menores ou até mesmo prejuízos para os produtores”, observou ele.
Ele também observou que o conflito pode ter outras variáveis que precisam ser monitoradas, como o comportamento do mercado de fertilizantes. “Embora o conflito possa pressionar os preços, estima-se que, se a situação se estabilizar nas próximas semanas, a oferta tenderá a se normalizar.”
Diante desse cenário de alta incerteza, o consultor recomenda que o setor frutícola mantenha fortes relações comerciais com clientes estratégicos, além de monitorar de perto os mercados e utilizar ferramentas financeiras que permitam mitigar os riscos cambiais e logísticos.
Ele concluiu dizendo que “esses eventos já aconteceram antes e o mercado geralmente tende a se ajustar com o tempo”, concluiu Peirano, enfatizando que a chave será manter a flexibilidade e o contato próximo com os mercados à medida que o cenário internacional evolui.
*Giorgio Peirano – Profesional con más de 20 años en agronegocios, especializado en estrategia comercial, mercados de exportación y creación de valor en empresas agrícolas.Valparaíso, Región de Valparaíso, Chile · CEO & Partner · Grupo agrícola y productivo spa Profesional con más de 20 años en agronegocios, especializado en estrategia comercial, mercados de exportación y creación de valor en empresas agrícolas.
Fonte: Portalfruticola.com




